O chef de cozinha se tornou um popstar mundial com programas na TV tem prejuízo com a rede de restaurantes dele

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Ser um chef celebridade não basta para garantir o sucesso de uma rede de restaurantes. No ano passado, o britânico Jamie Oliver, famoso por seus programas de televisão que ensinam a cozinhar pratos sofisticados em poucos minutos e com ingredientes naturais, precisou desembolsar 12,7 milhões de libras esterlinas – o equivalente a R$ 68,3 milhões – para manter as mais de 50 unidades de sua rede Jamie’s Italian em operação e evitar a falência.

A rede tem três lojas no Brasil, em São Paulo, Curitiba e Campinas (SP). Atualmente, o tamanho da dívida é de 71,5 milhões libras esterlinas, ou cerca de R$ 384,5 milhões. Numa rara entrevista ao jornal Financial Times, Oliver declarou que foi pego de surpresa no meio de uma filmagem. “Ficamos simplesmente sem caixa”, disse Oliver, revelando sua decepção e contrariedade com a equipe de executivos. “Foi uma surpresa. Isso não é normal em nenhum negócio”, desabafou Oliver, visivelmente desapontado.

O drama do chef e empresário britânico não se apoia apenas nas cifras, mas na forma repentina como aconteceu. Ele teve apenas duas horas para transferir 7,5 milhões de libras esterlinas (R$ 40,3 milhões) e evitar a falência em um ou dois dias depois. Nos meses seguintes, foram injetados mais 5,2 milhões de libras esterlinas (R$ 27,9 milhões) de capital próprio.

Diante da sangria financeira, o próprio Oliver coordenou um plano de reestruturação, com 12 unidades fechadas e 600 demissões, junto com o executivo Paul Hunt, cunhado do chef e cuja biografia inclui uma condenação, em 1999, por “insider trading” – utilização de informações privilegiadas para lucrar no mercado de ações.

Na entrevista ao Financial Times, Oliver admitiu não saber exatamente a causa da crise no negócio. “Ainda estamos tentando entender, mas acho que os gestores que tínhamos na época estavam tentando administrar uma tempestade perfeita, com aluguéis, tarifas, aumento dos custos dos alimentos, aumento da renda mínima, Brexit. Muitas coisas acontecendo”, disse ele.

Oliver não é uma exceção no mundo das redes de restaurantes que quase naufragaram. A americana Yum Brands, dona de marcas como Taco Bell, KFC e Pizza Hut, passou por maus bocados em 2016, depois que clientes filmaram e postaram nas redes sociais roedores em uma de suas unidades que estava em reforma. As vendas despencaram e alguns estabelecimentos chegaram a fechar as portas.

Depois de uma agressiva campanha para mostrar que se tratou de um incidente isolado, os clientes começam a voltar. Até mesmo o renomado chef Erick Jacquin, que também comanda reality shows de gastronomia na televisão brasileira, já levou à falência dois restaurantes de sua propriedade, provando que ser famoso nas telas não garante prosperidade no mundo real.

Trajetória

Jamie’s Italian saiu de um modesto endereço em Oxford, em 2008, para 43 unidades em diversos países, em 2016, incluindo uma no bairro paulistano do Itaim. Aclamada pela crítica por introduzir ingredientes de qualidade e a preço razoável, a rede cresceu rápido demais – e nem sempre nos endereços mais adequados ao perfil.


De acordo com o Financial Times, Oliver tem um patrimônio avaliado em 150 milhões de libras esterlinas (pouco mais de R$ 800 milhões). Tornou-se, portanto, uma das celebridades mais bem-sucedidas do mundo e, também, o autor de não-ficção mais vendido do Reino Unido: seus livros de culinária já venderam mais de 37 milhões de exemplares.

Mau aluno na escola, Oliver começou a vida nas cozinhas lavando panela no pub do pai, em Essex, interior da Inglaterra. No final dos anos 90, comandava o The River Café, em Londres, quando foi descoberto por uma equipe de TV e convidado para estrelar um programa. Na época, sob o comando do New Labour de Tony Blair, Londres vivia uma espécie de renascença culinária, com os britânicos aprendendo que a boa comida ia além do steak and kidney pie (a torta de rim que é um pilar da cozinha inglesa tradicional).

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Em dois anos à frente do The Naked Chef, Oliver já era uma celebridade. Comprou briga com o McDonald’s e virou um militante da comida saudável nas escolas. Mas junto com a fama vieram as críticas. Sua campanha contra a obesidade foi acusada de ser “antipobre” e de envergonhar os gordos. Mais recentemente, um produto pré-pronto com o nome de um prato jamaicano (jerk rice) foi acusado de apropriação cultural indevida por usar o nome da receita sem incluir os ingredientes típicos. No entanto, nenhum desses problemas parece ter tirando tanto o seu sono quanto o rombo financeiro de sua empresa.

Prejuízo no cardápio

R$ 68,3 mi
Foi quanto Jamie Oliver precisou desembolsar para salvar sua rede da falência

R$ 384,5 mi
É a dívida total da empresa do famoso chef britânico atualmente

12
Número de unidades da franquia fechadas, sendo 600 demissões

R$ 806 mi
Fortuna pessoal estimada de Jamie Oliver

Fonte: Estado de Minas

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